I Cartaz

sexta-feira, 20 julho, 2007 - Leave a Response

I Cartaz

IV e V Debate – sobre ideologias econômicas e a Universidade

sexta-feira, 20 julho, 2007 - Leave a Response

No IV Debate lemos o texto A Universidade em Ruínas de Marilena Chauí. Tivemos certa dificuldade para entendermos algumas correntes e jargões econômicos, mas contamos com a imprescindível ajuda de Buíque. Portanto, o tempo ficou curto para aproveitarmos totalmente o texto, ficando o V Debate para esse propósito.

O texto aborda entre outras coisas as diferentes filosofias econômicas das décadas de 70 a 90, do estado de bem estar social ao neoliberalismo. O estado de bem estar social -bem estar social, e em suas mãos as políticas públicas, a saúde, a cultura e a educação. O neoliberalismo não foi completamente implantado, mas os efeitos podem ser percebidos nas políticas públicas do Estado. surgiu para fazer frente às políticas públicas do comunismo (que propunha uma sociedade igualitária). Mas o Estado ficou sobrecarregado de encargos sociais, resultando numa crise fiscal. O Estado também era acusado de destruir a liberdade do indivíduo e a competição de mercado. O neoliberalismo surge para tentar sanar esses problemas, ficando o mercado – como conseqüência de suas características encarregado de promover o bem estar social, e em suas mãos as políticas públicas, a saúde, a cultura e a educação. O neoliberalismo não foi completamente implantado, mas os efeitos podem ser percebidos nas políticas públicas do Estado.

A educação passa a ser vista como um serviço, não mais como um direito social. Na universidade federal, a idéia de ter de se pagar pelo serviço persiste mesmo sendo gratuita, então surge a ladainha que os ricos devem pagar para os pobres, sendo a vaga na universidade pública um favor dos ricos para os pobres. A educação, como um serviço que deve ser pago, passa a ser um privilégio para os que têm dinheiro e, para os que não tem, a universidade federal é um favor que aqueles dão à estes. Em hipótese os ricos é quem pagariam mais impostos, sendo os maiores responsáveis pela manutenção do fundo público. Mas sabemos que isso não acontece de fato. A maior parte dos impostos é paga no consumo de produtos e não sobre fortunas. Além disso, os ricos são os que mais sonegam impostos.

Assim se acaba a idéia básica de democracia, já que os direitos não são iguais para todos. Onde existiam as mesmas condições de desenvolvimento pessoal e social, agora vemos oportunidades. Ainda como conseqüência da idéia de educação como um serviço, a universidade deixa de ser uma instituição – autônoma e reconhecida na sociedade – e passa a ser uma organização, regida por técnicas administrativas de mercado, da mesma forma que uma montadora de automóveis ou outra grande empresa [essa prática é conhecida como tecnocracia]. Passando assim a preocupar-se apenas com custos, tempo de produção (do conhecimento) e resultados imediatos, esquecendo-se de questionar-se sobre sua existência, sua função, seu lugar na sociedade em que está inserida. Sua autonomia passa a ser substituída por flexibilidade, necessária para manter-se adequada às últimas tendências de mercado.

Chauí destaca três fases que a universidade brasileira viveu desde os anos 70: a universidade funcional (voltada à formação rápida de profissionais para sua inserção no mercado de trabalho); a universidade de resultados (a universidade voltada para a apresentação de resultados à sociedade, faz parceiras com empresas privadas que garantem a utilidade imediata das pesquisas.); e a universidade operacional (a universidade voltada para si mesma , para seus índices de produtividade, para suas “estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pelas particularidades e instabilidades dos meios e objetivos”).

Assim a docência é afetada. Além de haver uma diminuição dos concursos públicos nas universidades, ocasionando uma demanda de professores suprida por contratos temporários (demonstrando como o mercado exige rápida adaptação), a docência é vista como uma transmissão rápida de conhecimento voltada para a habilitação rápida de mais um candidato a uma vaga no mercado de trabalho.

Já a pesquisa é direcionada ao mercado que a sustenta. Deixa de ser vista como um conhecimento valoroso de alguma coisa, e sim como um instrumento a ser utilizado no mercado.

Dessa maneira, para suprir o mercado, a universidade tem o seu tripé de sustentação abalado, a docência, a pesquisa e a extensão. Essa universidade não forma nem cria pensamento.

Chegada a essa conclusão, fomos um pouco além em nosso debate e entramos na discussão sobre a autonomia universitária. Qual o direito/dever que uma universidade autônoma tem de ser avaliada, se as normas que devem regê-la tem que vir senão dela mesma utilizando-se de critérios acadêmicos?

Concordamos que deveria existir algum tipo de avaliação dessa universidade, não só porque ela é mantida com dinheiro público, como também porque ela está inserida numa sociedade e faz parte daquele sistema. Porém como poderia ser feitas essa prestação de contas e a avaliação dos resultados pelo Estado?

Chegamos à conclusão que a exigência de que essa Universidade realmente se comportasse como uma Universidade, não iria ferir em nada sua autonomia. Seria necessário algum tipo de avaliação vinda do Estado, não com o objetivo de avaliar o quanto essa é útil para o mercado, mas para certificar-se de que essa instituição continua atuando segundo seus princípios fundamentais, que definem o que é ser uma universidade. Cumprido esse ponto – nos garantindo que a Universidade será baseada em legítimos “ensino, pesquisa e extensão” – passaria então ela a ter a autonomia que lhe caracteriza.

 

IV Debate – casa de mari, 16 de junho de 2007;

V Debate – casa de búho, 30 de junho de 2007.

 

grupo ágora.

III Debate – sobre o conceito oficial de Universidade e outras coisas

segunda-feira, 18 junho, 2007 - 3 Respostas

Pensando ainda sobre o papel da universidade na sociedade, sentimos a necessidade de buscar informações oficiais de órgãos do governo sobre o conceito e as obrigações de uma universidade, comparando-os com a concepção idealizada construída no II Debate. Assim, realizamos nesse III Debate a leitura de dois textos: o primeiro é um conjunto de pequenos textos (todos retirados de sites oficiais governamentais). O segundo é um trecho da dissertação de mestrado de Alcivam Paulo Oliveira, intitulado “A relação universidade-empresa a partir do empreendorismo”.

Através da análise do primeiro, pudemos perceber que as universidades têm o compromisso de injetar periodicamente profissionais bem qualificados no mercado de trabalho e, como instrumentos para auxiliar nesse aspecto qualitativo da formação do profissional, além de servir para “reafirmar seu compromisso social”, elas devem realizar atividades de pesquisa e extensão. Não há de forma alguma, segundo os dados, uma preocupação com o modo como os alunos estão saindo das universidades, fazendo com que, ao invés de também cientes do seu papel importante na sociedade, o estudante saia um profissional competente e qualificado para atender aos requisitos do mercado, mas alheio aos acontecimentos a sua volta. Tais conclusões são tão óbvias e, ao que parece, reconhecidas inclusive pelo próprio governo federal, coisa que pode ser deduzida através do anúncio da UNIABC, cujo principal diferencial seria tentar sanar essa falta (ver Textos diversos de sites oficiais).

O segundo texto trata também sobre o conceito de universidade ideal, fundamentado sobre argumentos científicos, levando em conta, entre outras coisas, o fato de ter essa universidade nascido a partir da sociedade e de ter nela sua própria finalidade. Tal conceito é baseado em seis pontos (ver A Relação Universidade-Empresa, a partir do Empreendedorismo):

 

a) Universidade como instituição que objetiva a produção de conhecimento interessado;
b) Universidade como universitas;
c) Universidade como lugar de formação integral;
d) Universidade como centro de interlocução interessada com a sociedade;
e) Universidade como instituição autônoma;
f) Universidade como instituição policêntrica.

Assemelhando-se em grande parte ao conceito aqui esboçado, no II Debate, mas infelizmente não condizente, em sua maioria, com o concebido pelo governo.

casa de jera, 2 de junho de 2007.

grupo ágora.

Texto: “A Universidade”, Trecho de “A Relação Universidade – Empresa, a partir do Empreendedorismo”

segunda-feira, 18 junho, 2007 - Leave a Response

Extraído da dissertação de mestrado de Alcivam Paulo de Oliveira, A relação Universidade – Empresa, a partir do Empreendedorismo, secção 1.2.1, A Universidade.

Lido em III Debate – Sobre o conceito oficial de Universidade e outras coisas.

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Texto: Textos diversos de sites oficiais

segunda-feira, 18 junho, 2007 - Uma resposta

Extraído de lugares diversos.

Lido em III Debate – Sobre o conceito oficial de Universidade e outras coisas.

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Texto: O Movimento estudantil

segunda-feira, 4 junho, 2007 - 3 Respostas

Extraído do Coletivo Sabotagem.

Lido em II Debate – sobre a função da universidade e do estudante.

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II Debate – sobre a função da universidade e do estudante

sexta-feira, 1 junho, 2007 - 2 Respostas

No estudo de movimento estudantil faz-se necessária à compreensão sobre o conceito de universidade e o papel do estudante na sociedade como discussão introdutória. Assim, na última reunião, após a leitura do texto O movimento Estudantil tentamos discutir o que é universidade a partir do conhecimento empírico que obtemos a partir da vivência de estudante na UFPE, comparando diferentes áreas e realidades.

Chegamos ao consenso da presença de um caráter de especialização, como na divisão do trabalho, que fundamenta sua organização. Isso é percebido pela divisão das áreas de conhecimento. O ensino dentro dos cursos é muito direcionado, o que restringe a formação que o aluno recebe na universidade a um conhecimento puramente técnico. Formando um profissional (algumas vezes) preparado, mas carecendo de uma formação cidadã, sem o formar para a vida.

Assim a universidade é percebida pela sociedade, pelos próprios estudantes, como um instrumento de crescimento social, uma possibilidade de mudança social. Uma instituição que fornece diplomas que auxiliam (e não garantem) a entrada no mercado de trabalho. Essa visão de entrar na universidade a fim de conquistar um “status de universitário” pode ser apreendida, por exemplo, na análise das campanhas publicitárias hoje em dia que identificam a entrada na universidade como uma possibilidade de realizar seus sonhos.

Porém essa não é a universidade que desejamos. Acreditamos que a universidade tem potencialidade para oferecer outros serviços para a sociedade e para a formação de um estudante.

Cremos que a universidade deveria estimular a formação de cidadãos, de indivíduos em sua totalidade, em sua multiplicidade de ser humano, e não apenas como um profissional. Assim seria se houvesse maior intercâmbio de conhecimento entre as diversas áreas de estudo, se um aluno de qualquer centro fosse posto em contato com o que acontece nos outros centros e pudesse aprender um pouco com outra visão, com outros pontos de vista. Dessa forma a universidade ofereceria uma formação mais completa ao estudante.

Outro ponto em que concordamos quanto ao papel que uma universidade deveria desempenhar dentro da sociedade é a questão do seu compromisso social. A universidade não pode ser vista apenas como um antro de pesquisa e ensino movidos pelo interesse do conhecimento pelo conhecimento. Em sua política de atuação a universidade deveria ter como prioridade o compromisso que tem com a sociedade em que está inserida, fazendo com que o conhecimento ali produzido respondesse aos interesses da sociedade.

Porém não é isso que vemos acontecer. Cada vez mais, as áreas de pesquisa são voltadas ao interesse das empresas e muitos centros da universidade recebem, inclusive, investimentos privados. Estes, ao invés de funcionar como um complemento financeiro que beneficiasse a instituição, faz com que ela se inclua na lógica do mercado, tratando a educação como produto. Nesse sentido apoiamos o crescimento do trabalho de extensão nas universidades, responsável pela efetivação desse seu compromisso social.

Dessa maneira a universidade deveria trabalhar no sentido de desenvolver e estimular essa consciência de seu compromisso social entre aqueles que a formam (corpo docente, discente e funcionários) e, principalmente entre os estudantes, aqueles que ela forma.

O universitário deve assumir seu compromisso social pela: a) consciência ético-moral da oportunidade que este está tendo em estudar numa universidade, frente aos números do Brasil que mostram a maioria dos jovens trabalhando sem a oportunidade de fazer um ensino superior; b) porque a sociedade sustenta um indivíduo na faixa etária da população economicamente ativa, porém sem trabalhar, dedicado aos estudos – sustentação bastante evidente no caso de um estudante de uma universidade federal-pública; c) porque ao ingressar na universidade o estudante assume os objetivos da própria universidade devendo assim trabalhar de acordo com as prioridades da universidade e a fim de atingir suas metas.

Assim, acreditamos no papel compromissado com a sociedade que o estudante deve assumir.

fundação joaquim nabuco , 26 de maio.

grupo ágora.

I Debate – sobre a concepção

quinta-feira, 31 maio, 2007 - Uma resposta

nesta presente data, foram debatidos o conceito, os objetivos e o regimento do nosso grupo, sendo o resultado deste o conteúdo disponível neste blogue, cada um na sua respectiva secção.

segundo o funcionamento que adotamos, foram escolhida como perguntas iniciais:

p’ra que serve o movimento estudantil?

como está o movimento estudantil no brasil?

praça do arsenal, 19 de maio de 2007.

grupo ágora.

longa vida ao ágora!

sábado, 26 maio, 2007 - Leave a Response

enfim, criado o nosso blogue.

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