II Debate – sobre a função da universidade e do estudante

No estudo de movimento estudantil faz-se necessária à compreensão sobre o conceito de universidade e o papel do estudante na sociedade como discussão introdutória. Assim, na última reunião, após a leitura do texto O movimento Estudantil tentamos discutir o que é universidade a partir do conhecimento empírico que obtemos a partir da vivência de estudante na UFPE, comparando diferentes áreas e realidades.

Chegamos ao consenso da presença de um caráter de especialização, como na divisão do trabalho, que fundamenta sua organização. Isso é percebido pela divisão das áreas de conhecimento. O ensino dentro dos cursos é muito direcionado, o que restringe a formação que o aluno recebe na universidade a um conhecimento puramente técnico. Formando um profissional (algumas vezes) preparado, mas carecendo de uma formação cidadã, sem o formar para a vida.

Assim a universidade é percebida pela sociedade, pelos próprios estudantes, como um instrumento de crescimento social, uma possibilidade de mudança social. Uma instituição que fornece diplomas que auxiliam (e não garantem) a entrada no mercado de trabalho. Essa visão de entrar na universidade a fim de conquistar um “status de universitário” pode ser apreendida, por exemplo, na análise das campanhas publicitárias hoje em dia que identificam a entrada na universidade como uma possibilidade de realizar seus sonhos.

Porém essa não é a universidade que desejamos. Acreditamos que a universidade tem potencialidade para oferecer outros serviços para a sociedade e para a formação de um estudante.

Cremos que a universidade deveria estimular a formação de cidadãos, de indivíduos em sua totalidade, em sua multiplicidade de ser humano, e não apenas como um profissional. Assim seria se houvesse maior intercâmbio de conhecimento entre as diversas áreas de estudo, se um aluno de qualquer centro fosse posto em contato com o que acontece nos outros centros e pudesse aprender um pouco com outra visão, com outros pontos de vista. Dessa forma a universidade ofereceria uma formação mais completa ao estudante.

Outro ponto em que concordamos quanto ao papel que uma universidade deveria desempenhar dentro da sociedade é a questão do seu compromisso social. A universidade não pode ser vista apenas como um antro de pesquisa e ensino movidos pelo interesse do conhecimento pelo conhecimento. Em sua política de atuação a universidade deveria ter como prioridade o compromisso que tem com a sociedade em que está inserida, fazendo com que o conhecimento ali produzido respondesse aos interesses da sociedade.

Porém não é isso que vemos acontecer. Cada vez mais, as áreas de pesquisa são voltadas ao interesse das empresas e muitos centros da universidade recebem, inclusive, investimentos privados. Estes, ao invés de funcionar como um complemento financeiro que beneficiasse a instituição, faz com que ela se inclua na lógica do mercado, tratando a educação como produto. Nesse sentido apoiamos o crescimento do trabalho de extensão nas universidades, responsável pela efetivação desse seu compromisso social.

Dessa maneira a universidade deveria trabalhar no sentido de desenvolver e estimular essa consciência de seu compromisso social entre aqueles que a formam (corpo docente, discente e funcionários) e, principalmente entre os estudantes, aqueles que ela forma.

O universitário deve assumir seu compromisso social pela: a) consciência ético-moral da oportunidade que este está tendo em estudar numa universidade, frente aos números do Brasil que mostram a maioria dos jovens trabalhando sem a oportunidade de fazer um ensino superior; b) porque a sociedade sustenta um indivíduo na faixa etária da população economicamente ativa, porém sem trabalhar, dedicado aos estudos – sustentação bastante evidente no caso de um estudante de uma universidade federal-pública; c) porque ao ingressar na universidade o estudante assume os objetivos da própria universidade devendo assim trabalhar de acordo com as prioridades da universidade e a fim de atingir suas metas.

Assim, acreditamos no papel compromissado com a sociedade que o estudante deve assumir.

fundação joaquim nabuco , 26 de maio.

grupo ágora.

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2 Respostas

  1. […] Texto: O Movimento estudantil Extraído do Coletivo Sabotagem. Lido em II Debate – sobre a função da universidade e do estudante. […]

  2. Muito bom dia. Atendendo os desafios que a sociedade enfrente com a saida cidadaos e nao o regresso dos mesmo, digo que o papel da universidade nao está a ser executado conformemente. Na minha optica tinha-se criar mega-progectos nas zonas d saida dos cidadaos. Obrgdo

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